Dormia a sono solto a minha amada,
Quando eu pé ante pé no quarto entrava;
E ao ver a linda moça, que arreitava,
Sinto a porra de gosto alvoroçada:
Ora do rosto seu vejo a nevada
Pudibunda bochecha, que encantava;
Outrora nas maminhas demorava
Sôfrega, ardente vista embasbacada:
Porém vendo sair d’entre o vestido
Um lascivo pezinho torneado,
Bispo-lhe as pernas, e fiquei perdido:
Vai senão quando, o meu caralho amado
Bem como Enéas acordava Dido,
Salta-lhe ao pelo, por seguir seu fado.