Turba esfaimada, multidão canina,
Corja, que tem por Deus ou Momo, ou Baco,
Reina, e decreta nos covis de Caco
Ignorância d’aqui, d’ali rapina:
Colhe de alto sistema e lei divina
Imaginário jus, com que encha o saco;
Textos gagueja em vão Doutor macaco
Por ouro, que promete alma sovina:
Círculo umbroso de venais pedantes,
Com torpe astucia de maligno zorra
Usurpa nome excelso, e graus flamantes:
Ora mijei na sucia, inda que eu morra!
Corno, arrocho, bambu nos elefantes,
Cujo vulto é de anões, a tromba é porra!