Skip to content
1765–1805

X

Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage

Mas que novo segredo Amor me inspira! Que sabias regras, que preceitos novos! Filho de Vênus, e de Marte filho, De teus altos mistérios serei vate!

Forma novos oráculos em Cipro; Por eles tenha esquecimento Delfos. Namorado mancebo, Amor te fala, Ouve com filial respeito as vozes.

Posto que tu na cena Dóris ouças, Altos prodígios, maravilhas novas, A voz soltando bela, e sonorosa Com que suspenda sibilantes ventos,

Não pasmes, nunca chores, ser não queiras Réu desditoso de tão negro crime; Cheia Tirse de inveja, não perdoa, Mais depressa seria o mar estável.

A nação feminil sustenta sempre Entre si crua sanguinosa guerra: Inda no berço brandamente dorme, Inda c’o leite maternal se nutre,

Já da cova sombria o negro monstro Que come verdes enroscadas serpes, Salta com Venenosa língua, e lambe Seu terno peito, seu formoso rosto;

Na boca lhe vomita cru veneno, Que para o brando coração lhe corre, E nas veias sutis introduzido, C’o rubro sangue lhe circula, e pulsa;

Não só famílias com famílias rompem A paz benigna, que na terra expira; Entre as mesmas irmãs se acende a guerra, Por isso é hoje negro seixo Aglaura.

Até nos céus o vago monstro gira, Minerva, e Juno fez rivais de Vênus; Não caíram troianos altos muros, Só porque Paris foi roubar Helena!

Mil adúlteros tinham sem castigo Furtado esposas, maculado leitos: No pomo da Discórdia veio envolta A faísca fatal, que abrasou Troia.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
X · Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage · Poetry Cove