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1765–1805

VIII

Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage

De teu rival, mancebo, nota o modo, E tu sempre diverso modo segue: Não basta ser somente amante novo, É também necessária nova forma.

Se ele inquieto namora, tu sisudo, Se indecente se mostra, tu modesto; Se triste se apresenta, tu alegre; Se acanhado se mostra, tu mais livre;

Mas toma sempre virtuoso gesto, Só lhe pareça teu amor franqueza. Não há no mundo tão lascivo monstro Que a virtude não preze mais que o vício;

E julga sempre a feminina turba D’eles alheio quem se mostra casto: A flama do Ciúme também queima, E torra brandas mulheris entranhas;

Nem víbora raivosa, que pisada Do vago caminhante se exaspera, Nem besta furiosa, em cujas fauces O nu selvagem crava a seta aguda,

Mais iradas se acendem, do que a turba, Quando ciosa se exaspera, e arde. O ciúme foi ferro, a cujo golpe Banhou teu sangue, oh forte Pirro, as aras,

Foi ele a chama, que abrasou Sêmele: Em feroz urso transformou Calixto; (Eu mesmo, eu mesmo... Mas a dor me impede, Tu, soberbo rapaz da Idália, o dize!

Ah! formosa Corina! Não te engano, Só me abraso por ti, só por ti morro!...) Porém sulquemos novos mares, fuja Nosso veloz batel longe da praia.

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VIII · Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage · Poetry Cove