De teu rival, mancebo, nota o modo,
E tu sempre diverso modo segue:
Não basta ser somente amante novo,
É também necessária nova forma.
Se ele inquieto namora, tu sisudo,
Se indecente se mostra, tu modesto;
Se triste se apresenta, tu alegre;
Se acanhado se mostra, tu mais livre;
Mas toma sempre virtuoso gesto,
Só lhe pareça teu amor franqueza.
Não há no mundo tão lascivo monstro
Que a virtude não preze mais que o vício;
E julga sempre a feminina turba
D’eles alheio quem se mostra casto:
A flama do Ciúme também queima,
E torra brandas mulheris entranhas;
Nem víbora raivosa, que pisada
Do vago caminhante se exaspera,
Nem besta furiosa, em cujas fauces
O nu selvagem crava a seta aguda,
Mais iradas se acendem, do que a turba,
Quando ciosa se exaspera, e arde.
O ciúme foi ferro, a cujo golpe
Banhou teu sangue, oh forte Pirro, as aras,
Foi ele a chama, que abrasou Sêmele:
Em feroz urso transformou Calixto;
(Eu mesmo, eu mesmo... Mas a dor me impede,
Tu, soberbo rapaz da Idália, o dize!
Ah! formosa Corina! Não te engano,
Só me abraso por ti, só por ti morro!...)
Porém sulquemos novos mares, fuja
Nosso veloz batel longe da praia.