Vós, mancebos, correi, correi ligeiros
Do Tibre ás margens férteis, e mimosas:
Tão imóveis me ouvi; mas não tão surdos;
Direi primeiro como Amor se enleia,
Depois como se faz propícia Vênus.
Tu, oh Jove imortal, tu pai dos deuses,
Sábio me inspira, que não basta Apolo.
É verde louro fugitivo Daphne,
Amor ingrato do queixoso Febo:
Tu, selvático filho de Saturno,
Só tu não temes desdenhosas iras:
Ou chuva d’ouro a bela Dânae molhas,
Ou touro manso linda Europa roubas.
A face mulheril formosa, e pura
Cobrem de pejo avermelhadas rosas;
Ou dedo juvenil destro as desfolhe,
Ou cálido vapor soprando as murche:
Então lasciva, sem rebuço exposta
Fácil se entrega, sem temor se arroja:
Então tu, louro Apolo, serás Daphne,
A ninfa fugitiva será Febo.
Após o bruto filho de Netuno
Correrá Galateia os verdes mares;
Assim foge de Circe o grego Ulysses,
Assim foge de Dido o pio Enéas.
Porém, primeiro, subtilmente a inflama;
Se acaso ardente, devorante fogo
Torrar os bofes, consumir entranhas,
Natura acode com forçoso impulso,
E mais depressa se afugenta o pejo:
Mais depressa o calor do sol derrete
Pálida massa de esfregada cera;
Mais cedo rompe ariete forçoso
Torres antigas, ruinosos muros.