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1765–1805

III

Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage

Vós, mancebos, correi, correi ligeiros Do Tibre ás margens férteis, e mimosas: Tão imóveis me ouvi; mas não tão surdos; Direi primeiro como Amor se enleia,

Depois como se faz propícia Vênus. Tu, oh Jove imortal, tu pai dos deuses, Sábio me inspira, que não basta Apolo. É verde louro fugitivo Daphne,

Amor ingrato do queixoso Febo: Tu, selvático filho de Saturno, Só tu não temes desdenhosas iras: Ou chuva d’ouro a bela Dânae molhas,

Ou touro manso linda Europa roubas. A face mulheril formosa, e pura Cobrem de pejo avermelhadas rosas; Ou dedo juvenil destro as desfolhe,

Ou cálido vapor soprando as murche: Então lasciva, sem rebuço exposta Fácil se entrega, sem temor se arroja: Então tu, louro Apolo, serás Daphne,

A ninfa fugitiva será Febo. Após o bruto filho de Netuno Correrá Galateia os verdes mares; Assim foge de Circe o grego Ulysses,

Assim foge de Dido o pio Enéas. Porém, primeiro, subtilmente a inflama; Se acaso ardente, devorante fogo Torrar os bofes, consumir entranhas,

Natura acode com forçoso impulso, E mais depressa se afugenta o pejo: Mais depressa o calor do sol derrete Pálida massa de esfregada cera;

Mais cedo rompe ariete forçoso Torres antigas, ruinosos muros.

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