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1765–1805

I

Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage

Se, lascivos do mundo, amais sem arte, Lede meus versos, amareis com ela. Tu, louro Apolo, me tempera a lira, Tu, branda Vênus, a cantar me ensina.

Quanto nos reinos de Plutão deseja Tântalo ardente mitigar a sede; Quanto suspira Prometeu, que Jove Os duros ferros, com que o prende, rompa;

Tanto deseja a feminina turba Ao corpo varonil unir seu corpo; Tanto suspira por que mão lasciva Meiga lhe toque nas colunas lisas,

E que mimoso, petulante dedo Lhe amolgue os tesos seus virgíneos peitos. Em Junho ardente pelo seu consorte Clama, suspira em verde ramo a rola;

Em gelado Janeiro clama triste A doméstica tigre por marido: Brama nos campos em sereno Maio Mansa novilha por amado touro.

Sabia Natura o débil sexo excita, Torpes desejos com ardor provoca: Mas sempre firme, e simulada nega Carnal impulso geração de Pirra.

Busca Diana Endimião nos bosques, Mas finge ousada perseguir as feras; Ardente Vênus só prazer respira, Mas seus favores solicita Marte;

Serrana humilde reclinar deseja Nos doces braços de um Vaqueiro o colo; Mas d’ele foge, na montanha, esquiva, Com ele o baile festival recusa.

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