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1765–1805

EPÍSTOLA II

Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage

Conheço de teus males a veemência, Prezada Olinda! Eu própria os hei sofrido, Quando da mesma idade que hoje contas Próvida a Natureza começava

A preencher em mim seus fins sagrados. Marcha ela por graus em suas obras; Precede ao fruto a flor já matizada, Que fora antes de flor botão mimoso.

Assim a sabia mão da Natureza A passos insensíveis caminhando Maravilhas em nós produz, que assombram. Somos na infância apenas um bosquejo

Do que nos cumpre ser anos mais tarde. N’aquela idade a Natureza atenta Em conservar-nos só, não desenvolve Sentimentos, que então supérfluos foram:

Inativas nos tem, e nos conserva, Bem como as plantas no gelado inverno. Porém depois que o sol da primavera Fecundos raios sobre nós dardeja,

Então de novas formas animado Pula nas veias afogueado sangue, E sem perder da infância os atrativos Da puberdade o lustre desfrutamos.

Então sentimos comoções insólitas, Que origem são dos males, que te oprimem; Do amor, que te domina, melancólico; Da forte agitação, que em ti presentes.

Mas tem tudo remédio; eu hei de dar-t’o, Feliz serás, se o trilho me seguires.

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