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1765–1805

EPISTOLA I

Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage

Que estranha agitação não sinto n’alma Depois que te perdi, querida Alzira! De meus olhos fugiu, sumiu-se o fogo, Que a tua companhia incendiava!

Por uma vez se foi minha alegria, Nem a mesma já sou, que outrora hei sido! Minhas vistas ao céu lânguidas se erguem, E a mim própria pergunto d’onde venha

Tão novo sentimento assuberbar-me? Não se aquieta o coração no peito, Não cabe n’ele, e viva chama no íntimo Das entranhas ardente me devora,

Sem que eu possa atinar a causa, a origem. Aqueles passatempos, que na infância Tão do peito queria, em ódio os tenho. Das mesmas sup’rioras a presença,

Que d’antes para mim era indif’rente, Se me torna hoje dura, intolerável! Aonde, aonde irão estes impulsos Precipitar a malfadada Olinda?

Será, querida Alzira, a tua ausência, Que me faz derramar tão agro pranto? Debalde a largos passos solitária Vago sem norte: ignoro o que procuro;

Ah! minha chara! os males que tolero Expressá-los não posso, nem sofrê-los.

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