Já de Belém as luzes bruxuleiam Pálidas através dos nevoeiros, Qual turbilhão de tênues vagalumes Sobre as sarças escuras lampejando....
Um grito apenas, expansivo e forte Pelos ares ressoa — o passo dobram; Superam a fadiga. Estavam findas As penas desse dia trabalhoso.
Chegam por fim. Das estalagens vastas Os grosseiros portões rangem nos gonzos: Gritam os amos; os serventes correm De um lado e de outro; os viageiros entram
Nos largos palcos, insistentes estes Pedindo de comer, — fracos aqueles Suplicando um abrigo, um leito ao menos, Chora a criança; o ancião tolhido
Implora brando lume a que se aqueça; Acalentam as mães os filhos; bradam Os condutores alijando os carros; Ressoam na calçada as duras patas
Das mulas pacientes: — a desordem Reina e a confusão por toda a parte. Para tão grande número são poucas As pousadas, e poucos os alvergues;
O que chegou primeiro, o mais esperto, Ou traz mais cheio o cinto, ou prenhe a bolsa, Tem o lugar melhor; ficam os outros Na cozinha ou no alpendre; outros, apenas,
Acham mesquinha enxerga em que dormirem No frio pátio ao lume das fogueiras. Porém, José o pobre carpinteiro, Porém, Maria a santa, a imaculada,
Só encontraram por abrigo — o teto Do escura estrebaria, ou vil presepe! Por leito — feixes de cevada e feno! Por companheiros de hospedage — os brutos!
Nem um velho candil de frouxo lume, Nem ligeiros gravetos acendidos Entre grosseiras pedras clareavam O miserável, negro pardieiro!
Em breve o sono amigo as gratas asas Estendeu sobre os pobres viandantes.
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