Ora, naqueles tempos ominosos, Quando a raça perjura, abandonando O templo de seu Deus, o altar da pátria, Desvairada e febril tripudiava
Nas orgias fatais dos vencedores; Naqueles tempos de vileza e opróbrio, Vivia uma mulher, jovem, fastosa, Esplêndida de audácia e formosura.
A nobreza de então, gemia escrava Debruçada a seus pés; os magistrados O fiel da balança quebrariam Por um sorriso apenas! Muitos ricos
Adormeceram ébrios de volúpia Nas fofas almofadas de seu leito; Mas... despertaram pobres. Desgraçada! Era como o arvoredo ameno e fresco,
Que enfeitiça o cansado viajante, E o convida a dormir, mas cuja sombra Derrama a febre, o desespero e a morte!... Tinha visto Jesus e o tinha ouvido,
A glória de seu nome a deslumbrara. Sabia onde Ele estava... Horrenda, escura Tentação de Satã! Tartáreo sonho!... Talvez!... falou consigo; e pressurosa,
Das mais finas roupagens se reveste, Adorna-se de joias e de flores; De aromas esquisitos se perfuma; — Solta os cabelos negros e profusos —
Sobre as níveas espáduas descobertas, E tomando uma límpida redoma De precioso bálsamo pejada, Ganha ansiosa a rua e se dirige
Do fariseu à casa, a largos passos.
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