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1841–1875

XXIV

Luís Nicolau Fagundes Varela

Torvo é o céu, a terra inda mais torva. Negros bulcões não rolam pelo espaço Nem raivoso tufão açoita as plantas, E nuvens de poeira aos ares ergue:

Mas um lençol de baço nevoeiro Furta aos campos molhados de saraiva As carícias do sol meridiano. Nem uma alegre rapariga brinca

Enquanto a fonte chora e enche a bilha, Poucos, raros passantes atravessam As praças solitárias. Frio, agudo, Sibila o vento nos pesados tetos.

A tristeza do céu as almas ganha.... Oh! dai-me um céu azul, um sol de maio. Vergéis floridos, passarinhos ledos, E deixai-me sofrer! Almo consolo

Meu seio encontrará; não opulento, Cheio de atividade e de esperanças, Me lanceis sobre o gélido regaço Da natureza muda, entorpecida!

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