Torvo é o céu, a terra inda mais torva.
Negros bulcões não rolam pelo espaço
Nem raivoso tufão açoita as plantas,
E nuvens de poeira aos ares ergue:
Mas um lençol de baço nevoeiro
Furta aos campos molhados de saraiva
As carícias do sol meridiano.
Nem uma alegre rapariga brinca
Enquanto a fonte chora e enche a bilha,
Poucos, raros passantes atravessam
As praças solitárias. Frio, agudo,
Sibila o vento nos pesados tetos.
A tristeza do céu as almas ganha....
Oh! dai-me um céu azul, um sol de maio.
Vergéis floridos, passarinhos ledos,
E deixai-me sofrer! Almo consolo
Meu seio encontrará; não opulento,
Cheio de atividade e de esperanças,
Me lanceis sobre o gélido regaço
Da natureza muda, entorpecida!