Esplêndida e festiva, a luz d’aurora Clareia a sala, então, e cai suave, Carinhosa, talvez, na argêntea salva, Onde, serena e calma, semelhante
À fronte de uma estátua alabastrina, Jaz do Batista a pálida cabeça. As artérias e veias pouco sangue Sobre a luzida prata derramaram
Nem uma contração, nem uma ruga Desfiguram o cândido semblante, Onde, em vez do terror, deixou a morte A placidez do sono da inocência!
Ligeira sombra lhe circula as pálpebras, Docemente cerradas; meigo riso Parece lhe animar os frios lábios!... É, que, no triste instante, a alma divina
Contemplava o infinito! Ouvia as harpas Dos anjos do Senhor, preludiando De sua exaltação os belos hinos! Folgava, e os lábios riam!... — ‘Stás contente?
Pergunta o rei à filha de Herodias. Mas a jovem pantera não responde: Como a pantera que uma luz espanta, Olhos parados, suarento o rosto,
Presa a voz no laringe, anseia e treme; Recua aos saltos; quer falar, não pode; Quer afastar a vista fascinada Do pavoroso quadro, e em vão se esforça!
Por fim, erguendo os braços convulsivos, Solta um grito pungente e angustioso, E cai sobre os coxins desfalecida. Esta inaudita atrocidade assombra
Os discípulos de João. Mudos, errantes, Chorando a ausência do inspirado mestre, E prevendo, talvez, igual destino, Buscam as mais remotas soledades,
E depois de trabalhos excessivos, De amargos sofrimentos, se dirigem Da Galileia às plácidas campinas, Procurando Jesus e seus amigos.
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