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1841–1875

XXII

Luís Nicolau Fagundes Varela

Pálido, em pleno inverno, raras vezes Rasgando os mantos de alvacentas névoas, Deixava o sol cair furtivo raio Sobre os cimos do Hermon, ou sobre os lagos

Azuis da Galileia; frios ventos Sopravam dos desertos, sacudindo Os retorcidos galhos da videira, E lançando por terra as folhas murchas

Dos densos olivedos; as campinas, Onde sobre macia e verde relva No doce estio, os cordeirinhos brancos Saltitavam contentes, se cobriam

De camadas de neve; os passarinhos Tinham buscado novo céu; as árvores Nem gratos frutos, nem cheirosas flores Ostentavam à vista tediosa

Dos viandantes trêmulos; — apenas O grasnar dos abutres esfaimados, O ruído das lívidas queixadas Do chacal temeroso, remoendo

De mortos animais os ossos frescos; A luz medonha dos fuzis do inverno Correndo sobre o gelo; o silvo agudo Das serpentes vorazes se agitando

Danadas sobre o chão, — interrompiam A triste cena do infecundo quadro!

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