Pálido, em pleno inverno, raras vezes
Rasgando os mantos de alvacentas névoas,
Deixava o sol cair furtivo raio
Sobre os cimos do Hermon, ou sobre os lagos
Azuis da Galileia; frios ventos
Sopravam dos desertos, sacudindo
Os retorcidos galhos da videira,
E lançando por terra as folhas murchas
Dos densos olivedos; as campinas,
Onde sobre macia e verde relva
No doce estio, os cordeirinhos brancos
Saltitavam contentes, se cobriam
De camadas de neve; os passarinhos
Tinham buscado novo céu; as árvores
Nem gratos frutos, nem cheirosas flores
Ostentavam à vista tediosa
Dos viandantes trêmulos; — apenas
O grasnar dos abutres esfaimados,
O ruído das lívidas queixadas
Do chacal temeroso, remoendo
De mortos animais os ossos frescos;
A luz medonha dos fuzis do inverno
Correndo sobre o gelo; o silvo agudo
Das serpentes vorazes se agitando
Danadas sobre o chão, — interrompiam
A triste cena do infecundo quadro!