— Afortunados sois, pobres de espírito, Pois o reino dos céus é vossa herança; Afortunados sois, brandos e mansos, Que sem disputa possuís a terra;
Afortunado sois, vós que chorando Atravessais a estrada da existência, Porque tereis das mágoas lenitivo; Afortunados vós que tendes fome
E sede de justiça, sereis fartos; Afortunados sois, oh! compassivos, Pois achareis também misericórdia; Afortunados vós que neste mundo
Tendes os corações limpos e puros, Pois verão o Senhor os vossos olhos; Afortunados sois, seres pacíficos, Filhos de Deus vos chamarão os homens;
Afortunados vós que sem queixumes, Por amor da justiça e da verdade, Sofreis perseguições, pois vos pertence O reino do Senhor: afortunados
Vós que gemeis ao peso das injúrias, Das calúnias cruéis por meu respeito, Afortunados sois, pois largo prêmio, Recebereis além na eterna pátria!
Voltando-se depois a seus discípulos: — Vós sois o sol da terra e a luz dos povos. Como um farol suspenso nas alturas Aclare vossa luz a humanidade;
Vejam os homens vossas santas obras E glorifiquem vosso Padre excelso!... Quem, de mim se aproxima, e atento escuta As palavras que brotam de meus lábios;
Quem, depois de as ouvir, seguro as guarda, E as põe por obra no lidar da vida, É igual ao varão prudente e sábio, Que nas cavas de rígido penedo
Prende da casa os alicerces fortes: Quando os tufões correrem pelo espaço, Quando as caudais torrentes se arrojarem Bravejando no dorso das montanhas,
Não terá que temer! — Triste daquele, Triste daquele, que os ouvidos cerra Às profundas verdades que professo! Qual insensato, em terra levadiça,
Terá posto da casa os fundamentos: Quando as torrentes rábidas passarem Pelas chuvas do inverno intumescidas, Vorazes lamberão a areia solta,
E o vaidoso edifício irá com ela! — Depois destes santíssimos conceitos, Cala-se o Salvador, abre caminho Por entre a multidão que amiga o cerca,
E, seguido dos seus, desce do monte. O sol do meio-dia abrasa os campos.
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