Entre esplêndidas nuvens purpurinas Mergulhava-se o sol, e os frescos vales Abriam seus tesouros de perfumes, Aos bafejos das auras suspirosas
Que desciam dos montes do Ocidente. Sobre um risonho outeiro reunidos, Escutavam os homens do Evangelho As predições supremas; as sentenças,
E as derradeiras instruções do Mestre. A sossegada aldeia de Betânia Se estendia a seus pés, pobre, singela, Como um plácido ninho de andorinhas
No meio de um vergel. — Pobres amigos! O Redentor falou, — em vossas almas Eu plantei as sementes da Verdade. Não as deixeis morrer, tenham embora
Em vez de orvalho — lágrimas de sangue! Deus vos dará valor. Eu parto e deixo Em vossas mãos a sorte do Universo! Buscai os tristes, procurai os pobres,
E o bálsamo divino da esperança Nas feridas vertei dos desgraçados. Voai à zona tórrida e às planícies, Onde perpétuos gelos se aglomeram;
Ensinai aos mortais as leis do Eterno, A pureza celeste dos costumes, O perdão das mais ásperas ofensas! E em nome do Senhor pregai ao mundo
As mais belas das lúcidas virtudes: A Esperança, a Fé, e a Caridade! — Falava o Salvador, seu santo rosto Fulgurante tornava-se, seus olhos
De inefáveis clarões se iluminavam, E a túnica mesquinha e desbotada Da brancura da neve se cobria! Os amigos prostraram-se embebidos
Em êxtase divino, — o grande Mestre Sobre eles estendeu as mãos brilhantes, Volveu aos céus o rosto glorioso, E deixando de manso a terra e os homens,
Ergueu-se, ergueu-se pelos vastos ares, Até librar-se no sidéreo espaço Como longínqua estrela rutilante!... Por fim perdeu-se além, na imensidade,
Onde não chega o pensamento humano! Aqui termina a História do Calvário.
Cookies on Poetry Cove