Um profundo rumor, triste, confuso,
Pelas negras abóbadas retumba;
Rangem as chaves e as pesadas portas
Movem-se sobre os quícios, vagarosas;
Surdo tropel e vozes misturadas
Espalham-se nos longos corredores;
Vivo clarão derrama-se nos cantos
E esverdeados, úmidos pilares,
De sanguinosa cor tingindo as lájeas;
Um magote de esquálidos esbirros
E sequazes de Herodes se aproxima,
E rodeia o profeta. — Ilustre mestre,
Grita um ébrio soldado, motejando,
Rende graças à amásia de teu amo,
Está findo o teu triste cativeiro!
Ai! O que então seguiu-se, a língua humana
Não pôde descrever! Meus lábios tremem,
E minha voz não passa da garganta!...