Deixando os fariseus e escribas mudos, Mudos os assistentes, boquiabertos, Afasta-se Jesus; na larga praça, Bem junto do Telônio, ou grande mesa,
Onde estavam então os cobradores Dos dinheiros reais e dos tributos, Vê, ao passar, sentado um publicano; Detém-se, encara-o, fita-lhe no rosto
Um desses fundos, divinais olhares Que aos seios d’alma rápidos penetram, E laceram os véus da consciência. — Levanta-te, Levi, filho de Alfeu,
Que chamarei Mateus, e vem comigo. — Mateus não titubeia e não vacila, Ergue-se, deixa tudo, ao chão arroja O próprio manto que trazia aos ombros,
Guia o senhor à casa onde reside, Faz aprestar esplêndido banquete, Chama os pobres à mesa, e alegres folgam Por todo aquele dia. — Os vis escribas,
Os invejosos fariseus lhe dizem: — — Que! censurais os vícios e defeitos Do vulgacho grosseiro, vós o Mestre, E comeis no festim do publicano,
Sentado entre rasteiros pecadores! — O Senhor lhes responde: — Ouvi, malévolos: Os que estão sãos, sabeis, não necessitam Dos socorros do médico, aos enfermos
São eles destinados. Neste mundo Não venho aos justos ensinar, mas, vede, Chamar à penitencia os pecadores! — E outras santas verdades repetindo
Os reduz ao silêncio, envergonhados.
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