Skip to content
1841–1875

XVIII

Luís Nicolau Fagundes Varela

Três dias e três noites pavorosas Sobre a lousa do túmulo passaram; Três dias e três noites de mistério Os segredos cobriram de além mundo.

A vida e a morte combatiam surdas No silêncio e nas trevas do sepulcro. Mas, ao último dia, quando os astros Desmaiavam na cúpula sidérea,

E os primeiros clarões tíbios e frouxos De uma sinistra aurora adelgaçavam As nuvens pardacentas do Oriente, Um estampido horríssono e medonho

Reboou nas abóbadas sombrias Da funerária gruta; um vivo fogo, Um jorro imenso de brilhantes luzes, Bateu na lisa face do rochedo.

Os quadrilheiros, hirtos, assombrados, Lívidos de terror, no chão caíram, De viscoso suor molhando a relva; Agitaram-se os pássaros das brenhas

E tentavam fugir batendo as asas, Tíbias e sem vigor! Dois belos anjos, Radiantes de graças inefáveis, Desceram das esplêndidas alturas,

Afastaram a pedra do sepulcro, E Cristo apareceu! O grande Cristo! O Cristo soberano e glorioso, Filho de Deus e Salvador do mundo!

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.