Três dias e três noites pavorosas
Sobre a lousa do túmulo passaram;
Três dias e três noites de mistério
Os segredos cobriram de além mundo.
A vida e a morte combatiam surdas
No silêncio e nas trevas do sepulcro.
Mas, ao último dia, quando os astros
Desmaiavam na cúpula sidérea,
E os primeiros clarões tíbios e frouxos
De uma sinistra aurora adelgaçavam
As nuvens pardacentas do Oriente,
Um estampido horríssono e medonho
Reboou nas abóbadas sombrias
Da funerária gruta; um vivo fogo,
Um jorro imenso de brilhantes luzes,
Bateu na lisa face do rochedo.
Os quadrilheiros, hirtos, assombrados,
Lívidos de terror, no chão caíram,
De viscoso suor molhando a relva;
Agitaram-se os pássaros das brenhas
E tentavam fugir batendo as asas,
Tíbias e sem vigor! Dois belos anjos,
Radiantes de graças inefáveis,
Desceram das esplêndidas alturas,
Afastaram a pedra do sepulcro,
E Cristo apareceu! O grande Cristo!
O Cristo soberano e glorioso,
Filho de Deus e Salvador do mundo!