A morte horrenda e trágica de Cristo, Do Deus, Filho de Deus, assombra o mundo, Cobre de luto o Firmamento e os mares, Abala o próprio inferno! O Véu do templo
Rasga-se de alto a baixo, como a névoa Que o relâmpago etéreo despedaça; Tinge-se o céu de negro, o sol medroso Lança um último raio sobre os montes
E mergulha-se frio e descorado No oceano de trevas, que dominam A vastidão do espaço. A terra treme, E solta das entranhas requeimadas
Denso vapor e rubras labaredas. Secam os rios, partem-se os rochedos, Abrem-se as sepulturas dos profetas, E as jazidas dos santos que ressurgem,
E erram chorando pelas ermas praças!... À tarde um rico e nobre israelita, José de Arimateia, estrênuo guarda Da novíssima Lei, sobe ao Calvário,
Manda descer por ordem de Pilatos O triste corpo do divino Mestre, Leva-o piedoso à casa onde reside, Banha-lhe as chagas negras, embalsama-o
Com preciosas, grátulas essências; Depois o envolve em faixas de alvo linho, E o deposita com sagrado zelo No túmulo dos seus, grande jazida
No seio escuro de profunda gruta; Resguarda a entrada com pesada lousa E aos lares volta satisfeito e calmo. Entretanto, a formosa Madalena,
Maria, a meiga esposa de Cleofas, E outras pias mulheres, largo tempo Ficaram pranteando, junto às rochas, Onde jazia o Mestre que adoravam;
Depois se retiraram, e os juízes Tiranos de Israel, e os sacerdotes, Temendo que os discípulos de Cristo Lhe furtassem o corpo às horas mortas,
E dissessem depois que ressurgira, Perto da feia e lúgubre caverna Uma guarda puseram vigilante.
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