Da clara estirpe de Davi o grande, A glória de Israel, o rei-profeta, O ungido do Senhor, o herói, o sábio, O mais nobre cantor que há visto o mundo,
Era a eleita de Deus, dos céus princesa, Dos homens esperança, — era Maria, Filha de Ana e de Joaquim, esposa Do operário José. A nódoa infausta
Do vício original não maculava A esplêndida candura de seu rosto, Norma sublime, divinal modelo Da perfeição dos anjos. A inocência,
A bondade infinitas, radiavam Iguais a duas fúlgidas estreitas, Em seu laurel de excelsa virgindade. Seus gestos graciosos, os seus passos
Mais leves e sutis, eram medidos Por suave harmonia. Um — que — de etéreo, De indefinido e vago, derramavam Por toda a parte seus olhares. — Almas
Tinham as rosas dos sarçais selvagens, Se as tocavam seus dedos: as palavras Que murmuravam seus divinos lábios Eram guardadas pelos anjos, — nunca
Tão grata havia sido a voz humana! Tanta consolação jamais vertera! Jamais tantas promessas traduzira! — Bela e terrível! Ao mirar-lhe o rosto,
A espada flamejante, que guardava Do Paraíso a porta, cairia Das mãos de austero arcanjo, fulminando A fronte mãe de um pensamento impuro!
Neta de um rei, mulher de um jornaleiro, Pobre, singela, humilde, mas senhora De toda a humanidade: desprezada Dos escravos dos Césares nefandos,
Mas forte, gloriosa, triunfante Ao lado de seu Filho e de quem sofre; Eis a mulher que soergueu os homens Do fundo abismo onde os lançara o erro!
Eis a predestinada, a quem o Eterno Enviara seu lúcido ministro Anunciando a encarnação do Verbo.
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