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1841–1875

XVI

Luís Nicolau Fagundes Varela

Como crescesse o número de ouvintes, E os fariseus e escribas se escondessem, Jesus continuou: — Porém, vós outros Não cobiceis o título de — mestres!

Tendes um Mestre só, irmãos sois todos! Ninguém chameis de pai, um Pai só tendes, Que vos julga dos céus! O que se humilha Exaltado será, mas o soberbo

Ficará no lugar dos pobres servos! Ai! de vós, fariseus e escribas falsos! A terra toda percorreis e os mares Para formar apenas um prosélito,

Se o conseguis formar, ei-lo mais digno Do inferno que de vós! Míseros cegos Que um mosquito afastais, e descuidosos Engolis um camelo! — O que transborda

Solícitos limpais da taça de ouro, Mas no fundo deixais as fezes negras, E a imundice do vício. Eu vos comparo A esses brancos túmulos, cobertos

De todo o luxo da vaidade humana, Por fora emblemas e inscrições brilhantes, E dentro a morte e carcomidos ossos! Ai! de vós fariseus e escribas feros,

Que levantais moimentos aos profetas, E ornais dos justos a mortal jazida! Serpes traidoras, víboras danadas, Arde por vós o fogo da Geena!

Eu vos envio sábios e videntes, E vós os açoitais nas sinagogas, Vós os pregais na cruz, para que volte Sobre vossas cabeças ominosas

O sangue da inocência que vertestes; Sim, todo o sangue, desde Abel o justo Até o reto e nobre Zacarias Que entre o divino altar e o santuário

Assassinastes, bárbaros algozes!... Jerusalém! Jerusalém! trucidas Os profetas que Deus abençoara, E apedrejas seus justos enviados!

Oh! quantas vezes não tentei zeloso Teus filhos reunir, qual sob as asas Ave caseira a prole timorata! Não o quiseste! sofrerá teu povo,

E ficarás deserta e envilecida! — Assim dizendo retirou-se Cristo.

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