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1841–1875

XVI

Luís Nicolau Fagundes Varela

— Oh rei! diz a volúvel dançarina, Se a promessa que parte de teus lábios Um gracejo não fosse... — Pelos deuses, E deusas imortais! — Herodes brada,

Seja eu ludíbrio do plebeu mais rude Se alguma cousa te negar! — Desculpa, Se duvidei de ti, — pois bem, atende: Sabes quantas afrontas recebemos

Do protervo Batista, — diz a moça, — Que punição lhe deste? Descuidoso Nos terrados de vasta fortaleza, Em risonha colina levantada,

Escarnece de ti!... Agora escuta, E cumpre como um rei o que juraste: — Dá-me a cabeça do Batista! — Herodes Treme, os olhos abaixa, e não responde.

— Hesitas?... E da mesa do banquete A filha de Herodias se aproxima, Lança mão de uma salva primorosa Que ao tirano apresenta: — Nesta salva

Quero a cabeça do Batista — O bárbaro Chama o chefe da guarda que o servia: — Escutaste? — Escutei. — Parte, e obedece! Eis meu anel, te servirá de senha. —

O sinistro emissário a sala deixa.

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