— Oh rei! diz a volúvel dançarina,
Se a promessa que parte de teus lábios
Um gracejo não fosse... — Pelos deuses,
E deusas imortais! — Herodes brada,
Seja eu ludíbrio do plebeu mais rude
Se alguma cousa te negar! — Desculpa,
Se duvidei de ti, — pois bem, atende:
Sabes quantas afrontas recebemos
Do protervo Batista, — diz a moça, —
Que punição lhe deste? Descuidoso
Nos terrados de vasta fortaleza,
Em risonha colina levantada,
Escarnece de ti!... Agora escuta,
E cumpre como um rei o que juraste:
— Dá-me a cabeça do Batista! — Herodes
Treme, os olhos abaixa, e não responde.
— Hesitas?... E da mesa do banquete
A filha de Herodias se aproxima,
Lança mão de uma salva primorosa
Que ao tirano apresenta: — Nesta salva
Quero a cabeça do Batista — O bárbaro
Chama o chefe da guarda que o servia:
— Escutaste? — Escutei. — Parte, e obedece!
Eis meu anel, te servirá de senha. —
O sinistro emissário a sala deixa.