Do sol do meio dia à luz dourada Entram em pobre aldeia. O augusto Mestre Em casa de Simão passara a noite. Ao vê-lo o povo insonte se alvoroça,
Deixa as ocupações, à rua corre, Saúda o Salvador. De vil tugúrio Ao lado esquerdo de viela imunda, Um hediondo vulto, esfarrapado,
Levanta-se gemendo, cai; de novo Levanta-se, e caminha vacilante, Fazendo recuar os curiosos, Que a seu aspeto, horrorizados fogem.
Roxos tumores, pútridas feridas Cobrem-lhe os pés, as mãos, o peito e o rosto; Esverdeado pus, aguado sangue, Empastam-lhe os andrajos asquerosos;
Não mais conservam pálpebras e lábios As formas primitivas, ora, apenas, Esponjoso tecido de tubérculos. Mostram, oh Deus!... os últimos — um riso
De escancarada chaga... As chagas riem! Aos pés do Salvador chega esta cousa. — Jesus de Nazaré! Se tu quiseres Eu serei são!... Exclama roucamente.
Jesus guarda silêncio, encara o pobre: A multidão se agita, treme, espera. — Quero! — ordena o Senhor. Ergue-se o enfermo, Seu rosto empalidece, depois cora;
Afogueiam-se os olhos, os tecidos Alisam-se e de peitos se guarnecem; Nova circulação traz vida nova Ao sangue arterial; a mocidade,
A saúde, o vigor, o todo animam Daquele triste ser, que sobre a terra, Passava pelas fases tenebrosas Da noite dos sepulcros! Tanto podem
A santa fé e a lúcida esperança!...
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