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1841–1875

XV

Luís Nicolau Fagundes Varela

Nublada e triste aparecia a aurora No chuvoso Oriente, ásperas brisas Silvavam nos sarçais e nos outeiros Estéreis do sertão, quando chegaram

Ao teatro da lúgubre tragédia. — É ali, — disse o filho das montanhas, Mostrando um monte de tisnadas pedras Coroadas de cardos verdoengos,

— É ali! — Foi bastante esta palavra, Bastante o gesto que a seguia, — o sábio E mancebos valentes escalaram, Num volver de olhos, o Calvário alpestre.

Crostas calcárias desligadas, soltas, Rolaram das escarpas dos rochedos, Os ecos acordando; um feio abutre, Possante e gigantesco, abriu as asas,

E elevou-se, grasnando pelos ares; O horizonte aclarou-se, e um raio frouxo Da fria madrugada, um flavo raio, Um escárnio da luz, bateu medroso

No fastígio das penhas escabrosas. O mártir ali estava, — calmo e belo, Como um jovem pastor adormecido Sobre a relva do campo, entregue aos sonhos

De inocentes amores; em seus lábios Inda restava a sombra de um sorriso, Porém, da morte as roxas violetas As pálpebras cerradas lhe tingiam:

Uma flecha veloz o derrubara... A fria destra sobre um livro aberto Marcava o santo ofício dos finados!... Expirara adorando o Ser Supremo!

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