A multidão retira-se. Entretanto,
Uma singela filha das florestas,
Uma criança tímida, mimosa,
Bela como a inocência, pensativa
Senta-se à porta da tristonha ermida,
E considera atenta e longamente
A imagem do Senhor, onde repousa,
Como um olhar de amor e de piedade,
O suave clarão da madrugada.
— Naída! — Padre, vos espero, vamos.
— O que fazias, filha? — Me lembrava
Dessa criança que saudaram anjos
No pobre, escuro berço, e considero
Esta imagem sanguenta, descarnada,
Coberta de feridas horrorosas!
Responde a ingênua, cândida menina,
Ao caridoso mestre. — Oh! que bem fazes!
Diz este amargamente, — os sábios todos
Se assim pensassem quando os livros volvem,
E buscam monumentos no passado,
E perdem-se em audazes conjecturas,
Mais felizes seriam!... Vamos, filha.
Levanta-se Naída, e ambos caminham
Para a afastada, mísera choupana,
Onde a mãe da inocente, cuidadosa,
Grosseira refeição prepara, e espera
A delicada filha e o sábio mestre.
— O sol nascente as selvas ilumina.