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1841–1875

XLII

Luís Nicolau Fagundes Varela

A multidão retira-se. Entretanto, Uma singela filha das florestas, Uma criança tímida, mimosa, Bela como a inocência, pensativa

Senta-se à porta da tristonha ermida, E considera atenta e longamente A imagem do Senhor, onde repousa, Como um olhar de amor e de piedade,

O suave clarão da madrugada. — Naída! — Padre, vos espero, vamos. — O que fazias, filha? — Me lembrava Dessa criança que saudaram anjos

No pobre, escuro berço, e considero Esta imagem sanguenta, descarnada, Coberta de feridas horrorosas! Responde a ingênua, cândida menina,

Ao caridoso mestre. — Oh! que bem fazes! Diz este amargamente, — os sábios todos Se assim pensassem quando os livros volvem, E buscam monumentos no passado,

E perdem-se em audazes conjecturas, Mais felizes seriam!... Vamos, filha. Levanta-se Naída, e ambos caminham Para a afastada, mísera choupana,

Onde a mãe da inocente, cuidadosa, Grosseira refeição prepara, e espera A delicada filha e o sábio mestre. — O sol nascente as selvas ilumina.

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