Calou-se o pio Mestre. A madrugada
Vinha nascendo lúcida e serena,
Bela como a ilusão de um belo tempo,
Como um sonho da infância entre as tristezas
De frios desenganos. O deserto,
Que a noite povoara de duendes.
Festivo despertava. Um oceano
De purpurina luz, enxameado
De milhares de nuvens multicores
Ganhava o firmamento. A mata virgem,
Enamorada do clarão celeste,
As primícias das flores orvalhadas
Parecia ofertar-lhe. A loira abelha,
O colibri mimoso, a borboleta.
Ligeira amiga das silvestres flores,
Cruzavam-se volúveis, adejando
Sobre as folhagens úmidas de orvalho.
Mais longe, à margem de pequeno lago,
A garça branca, o tímido flamingo,
A travessa narceja, se banhavam,
Brincando entre as lustrosas espadanas.