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1841–1875

XL

Luís Nicolau Fagundes Varela

Calou-se o pio Mestre. A madrugada Vinha nascendo lúcida e serena, Bela como a ilusão de um belo tempo, Como um sonho da infância entre as tristezas

De frios desenganos. O deserto, Que a noite povoara de duendes. Festivo despertava. Um oceano De purpurina luz, enxameado

De milhares de nuvens multicores Ganhava o firmamento. A mata virgem, Enamorada do clarão celeste, As primícias das flores orvalhadas

Parecia ofertar-lhe. A loira abelha, O colibri mimoso, a borboleta. Ligeira amiga das silvestres flores, Cruzavam-se volúveis, adejando

Sobre as folhagens úmidas de orvalho. Mais longe, à margem de pequeno lago, A garça branca, o tímido flamingo, A travessa narceja, se banhavam,

Brincando entre as lustrosas espadanas.

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