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1841–1875

XIX

Luís Nicolau Fagundes Varela

Qual, entre os nevoeiros do Oceano Some-se a vela que a remotas praias Leva nossos amores e esperanças, Tal, entre a cerração desaparece

A solitária estrela, a casta amiga Das noites do profeta. Quebrantado Pela longa vigília, João descansa Sobre a gélida mão a fronte ardente,

E cerra, suspirando, os turvos olhos.... Mas, uma luz esplêndida, divina, Da sombria prisão clareia os muros, E um anjo do Senhor pousa tranquilo

Entre os grilhões do pálido cativo. João estremece; a imagem do verdugo Ao pensamento acode-lhe. — Estou pronto, São horas de partir? — severo indaga

Sem levantar o rosto. — Sim! — responde O celeste enviado, ergue-te, e vamos Para o seio de Deus! João abre os braços.... O anjo do Senhor desaparece.

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