Qual, entre os nevoeiros do Oceano
Some-se a vela que a remotas praias
Leva nossos amores e esperanças,
Tal, entre a cerração desaparece
A solitária estrela, a casta amiga
Das noites do profeta. Quebrantado
Pela longa vigília, João descansa
Sobre a gélida mão a fronte ardente,
E cerra, suspirando, os turvos olhos....
Mas, uma luz esplêndida, divina,
Da sombria prisão clareia os muros,
E um anjo do Senhor pousa tranquilo
Entre os grilhões do pálido cativo.
João estremece; a imagem do verdugo
Ao pensamento acode-lhe. — Estou pronto,
São horas de partir? — severo indaga
Sem levantar o rosto. — Sim! — responde
O celeste enviado, ergue-te, e vamos
Para o seio de Deus! João abre os braços....
O anjo do Senhor desaparece.