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1841–1875

XIV

Luís Nicolau Fagundes Varela

Os tangedores, avisados, rompem Nas mais doces e ternas harmonias; Os convivas levantam-se surpresos: Derramam servos nos braseiros ricos

Perfumes sem iguais. Senta-se Herodes, Estremece Herodias. Entretanto, Escrava da cadência, mas senhora Das requebrados, lânguidos meneios,

Sobre as flores dos séricos tapetes, Mais ligeira que a leve borboleta, Mais bela que os espíritos errantes. Que à noite brincam nos rosais cheirosos,

Ela volteia — a doida bailadeira! Na dança figurada, aos ágeis passos Mistura os mais garridos movimentos, Os gestos mais lascivos. Arquejante,

Às vezes para do salão no centro, Suspira e cerra os olhos... vai, quem sabe, Sucumbir de cansaço! Mas engano! Reanima-se, ri, levanta os braços,

Flexível como a serpe encurva o corpo, E num rápido giro se aproxima Do fascinado Herodes, sacudindo Sobre seus pés as rosas da grinalda,

Entre os aplausos mil dos assistentes. Depois, qual passarinho caprichoso, Que das nuvens descendo, em tarde estiva, Modera o voo, quando a terra avista,

Ela os passos afrouxa, e segue a medo, O mais lento tanger dos instrumentos. Imita a corça, quando alegre salta, Quando corre veloz; é viva abelha

Sobre os lírios dos vales adejando; Mimoso colibri, quando descansa, Tão leve, que não dobra das alfombras A mais delgada flor! Por largo tempo,

Assim deleita a vista dos convivas; Ofegante por fim, extenuada, Faz um último esforço, e mansamente Cai, pétala de rosa, aos pés de Herodes.

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