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1841–1875

XIV

Luís Nicolau Fagundes Varela

Como a sedosa flor dos verdes campos, Que pendente da haste, em áureos fios, Flutua ao bafejar das auras mansas, Esperando o clarão do sol brilhante

Para deixar o plácido envoltório, E voar pelo espaço em soltos flocos, Ou, semelhante à nítida crisálida Que a luz faz rebentar: a pura essência

Da mais pura das filhas das florestas Parecia esperar o alvor da aurora Para subir ao seio do infinito, Como o perfume de um formoso lírio,

Como um eflúvio dos serenos prados, Como a canção de um pássaro mimoso, O voo de uma abelha, o alegre riso De uma loira criança que desperta....

Raiou a madrugada. O santo mestre Tomou a mão da cândida donzela, A mão era gelada. A alma divina Tinha voado aos pés do Onipotente!

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