Ao sol posto, chamando os companheiros, Retirou-se Jesus para a Betânia, Tranquila estância, plácido remanso, Propício à reflexão; passou a noite
Nessa querida aldeia, povoada De lembranças dulcíssimas da infância, E ao romper da alva regressou, de novo, Ao teatro das áridas contendas;
Era brilhante o céu, calmoso o dia, Tristonha a solidão; — não muito longe, Pendida à margem de sereno arroio, Divisou o Senhor bela figueira,
A cem passos da estrada, e cujos galhos Supôs cobertos de gostosos frutos; Aproximou-se, pois. Fátua esperança! Lustroso estava o tronco e as folhas verdes;
Mas nem sequer um figo. Mudo emblema Das falazes grandezas deste mundo! Imagem da estultícia aparatosa! — Maldita sejas tu, árvore ingrata,
Que não vales o orvalho que te molha, E o calor que te alenta! — disse Cristo. Nunca mais o cansado viandante, Ou a frágil criança encontrem frutos
Em teus galhos mirrados! — Quando à tarde Os cabreiros voltavam da montanha A frondosa figueira que deixaram Tão forte à madrugada, estava seca,
Denegrida, sem folhas, e lascada Como se o fogo abrasador do raio A tivesse tocado. — Os camponeses, Amigos de abusões e sortilégios,
Ao rol extenso dos sinistros contos De seus longos serões acrescentaram A lenda escura da fatal Figueira.
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