Sobre um leito de folhas de verbena E agreste rosmaninho, triste e bela, Como um anjo terrestre que adormece Para acordar no céu; a fronte airosa
No materno regaço descansada, A donzela esquecia-se da vida Como o inocente colibri das matas, Que em mole alburno de viçosa planta
Crava o leve biquinho, os olhos fecha, Deixando em meio o lírico poema Do risonho existir. Nunca tão puro Seu gracioso rosto se mostrara!
Entretanto, a brancura de outra vida, Esse triste — luar — que altera as formas, E regela a expressão, dava-lhe o aspecto De uma pálida estátua da piedade
Em pobre cemitério. Ao ver o mestre, Um clarão de alegria e de esperança Iluminou-lhe os olhos, belos olhos, Onde o túrbido véu do passamento,
Como um fino sendal sobre alva imagem Na penumbra de um templo solitário, Começava a estender-se pouco a pouco. Tentou falar... a lívida doença
Lhe arrebatara a voz. Outro recurso Para saudar o mestre inda restava: Em vez de frases vãs e vãs palavras, Um radiante, esplêndido sorriso
Reanimou-lhe os lábios descorados. Junto da bela virgem do deserto Ajoelhou-se o padre soluçando, Tomou-lhe as magras mãos, porém já frias,
E tirando do peito a santa efígie, A efígie de Jesus hirta e sangrenta, Apresentou-a à mísera indiana. Vendo prostrar-se o pio sacerdote
A multidão prostrou-se, livre o pranto Correu dos olhos desses homens livres, Que o maior dos suplícios não curvara! Também nas selvas, nos sertões bravios,
Entre gentes boçais, tribos grosseiras, Tem a virtude altares. A inocência Quando sucumbe ao sopro da desgraça, Também recebe lágrimas sentidas!
Nas matas virgens, nas cidades cultas, Nas choças negras, nos salões dourados, É uma a Natureza e sempre a mesma!
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