Sobre as águas serenas, lança, estende O tecido sutil de finas malhas; Depois, aos poucos, lentamente o tira, Dos amigos robustos ajudado.
Mas o peso excessivo as linhas quebra, Quebra as delgadas cordas; outros barcos Do barco de Simão se acercam logo. Assombrosa fortuna! À tona d’água
Reluzem, pulam, turbilhões de peixes Os mais estranhos no tamanho e forma, Os mais apreciados nos mercados; Uns agitando as barbas filiformes,
Encrespando as escamas de mil cores, Fazendo resvalar nas turvas ondas O dorso boleado, úmido e pingue; Outros dobrando o prolongado corpo
Batendo as águas, como a lisa folha De larga e forte espada damascena, Lançando à roda inúmeros respingos; Abrindo outros as asas matizadas
De azuis lavores, de cetíneas manchas, Procurando transpor o móbil circo, De instante a instante mais estreito ainda. Depois se ajuntam, se misturam, rolam,
Ondas vivas represas por encanto Nos limites de mágico desenho Feito por mão de fada caprichosa. Os barcos atulhados mal flutuam,
Deixando apenas as delgadas bordas Fora das águas buliçosas, prestes A passarem sobre elas; entretanto, À direita, à esquerda, à proa, à popa
Os cardumes aquáticos pululam.
Cookies on Poetry Cove