Mas em conselho oculto, reunidos, Tinham determinado os sacerdotes, A morte de Jesus. Eles sabiam Que desse povo estulto e leviano,
Nenhuma oposição, nenhum protesto Se ergueria, sequer, contra a injustiça Da nefária medida. — Longo trato, Fundo conhecimento das tendências,
Das propensões, da índole malvada Da sanguinária gente, asseguravam Um êxito propicio ao plano horrendo Dos verdugos hipócritas. — Infâmia!
As turbas, que nas grandes praças, Saudavam de Davi o ilustre filho; Que nos degraus do templo e nos alpendres Das moradas campestres, recebiam
Daquele Deus da paz e da esperança O consolo; a saúde, o pão e a vida; Que traziam-lhe as tenras criancinhas, E imploravam-lhe a bênção de joelhos;
Que beijavam-lhe a medo a pobre túnica, Pedindo a salvação, — ora, folgavam Vendo estender-se à sombra do suplício Sobre o divino Mestre!... Prescindindo
Que forjavam-se os ferros do martírio! Que estava perto a morte, feia morte, Morte nefanda e crua! — Os mesmos braços, Que se estendiam súplices e humildes,
As mesmas mãos que abriam-se convulsas, Pedindo a esmola, o pão quotidiano, O pão da Caridade que alimenta O pobre corpo e o espírito indeciso,
As mesmas mãos, ingratas e traidoras, Iam erguer as pedras do caminho, Lançá-las contra o manso Nazareno! Iam manchar-se no divino sangue,
No sangue sacratíssimo do Justo! Israel! Israel! que não fizeste!
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