A coorte formou-se aparatosa,
Meneando insolente os finos gládios,
À roda do Senhor; os quadrilheiros
Sacudiram as longas alabardas,
Risonhos, como bravos combatentes
Que próxima batalha incita e move;
A multidão mendaz, grosseira e falsa,
Apertava-se, ria-se ou praguejava
Como em circo de feras! — Negra e rota
Era de Cristo a túnica mesquinha.
— Não deste modo um grande rei se traja!
Disse um cabo da guarda motejando;
— Venha depressa um manto precioso! —
O manto apareceu; o vil soldado
Lançou sobre Jesus as mãos profanas,
E a túnica rasgou-lhe. Então surpresos
Recuaram os bárbaros: os ombros,
Os braços do Senhor estavam roxos,
Entumecidos, ásperos, cobertos
De coagulado sangue e grossas bolhas!
— Cobre-te, — diz o esquálido soldado
Nas costas lhe estendendo o rubro manto,
— Sábio Rei dos Judeus, — estás medonho!