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1841–1875

XII

Luís Nicolau Fagundes Varela

A coorte formou-se aparatosa, Meneando insolente os finos gládios, À roda do Senhor; os quadrilheiros Sacudiram as longas alabardas,

Risonhos, como bravos combatentes Que próxima batalha incita e move; A multidão mendaz, grosseira e falsa, Apertava-se, ria-se ou praguejava

Como em circo de feras! — Negra e rota Era de Cristo a túnica mesquinha. — Não deste modo um grande rei se traja! Disse um cabo da guarda motejando;

— Venha depressa um manto precioso! — O manto apareceu; o vil soldado Lançou sobre Jesus as mãos profanas, E a túnica rasgou-lhe. Então surpresos

Recuaram os bárbaros: os ombros, Os braços do Senhor estavam roxos, Entumecidos, ásperos, cobertos De coagulado sangue e grossas bolhas!

— Cobre-te, — diz o esquálido soldado Nas costas lhe estendendo o rubro manto, — Sábio Rei dos Judeus, — estás medonho!

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