Nas horas melancólicas da tarde,
Quando se esconde o sol entre as montanhas,
E a luz crepuscular povoa os vales
De tristezas, de amores, de saudades,
Um dia vagueando pensativo
À verde margem de sereno lago,
Vê sobre a areia dois batéis vazios,
E a pouco espaço sobre escuras rochas,
Tisnados e grosseiros pescadores
Lavando as finas redes. Ao mais velho,
Da Galileia habitador antigo,
Dirige-se Jesus: — Simão, que fazes?
Puxa ao lago o teu barco e lança as redes,
Quero te ver pescar. — Mestre, responde
Tristemente Simão, a noite inteira
Eu ontem trabalhei, e hoje, debalde,
Nem um peixinho achei; porém, tu mandas,
Cumpre-me obedecer. Ajunta as redes,
Chama os sócios e desce, o lenho impele,
Toma o Senhor consigo e faz-se ao largo.