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1841–1875

XII

Luís Nicolau Fagundes Varela

Os primores da Europa, o luxo d’Ásia, O fausto desta, a profusão daquela De Herodes o palácio aformoseiam. Mil candeeiros, transparentes tochas,

Argênteos lampadários, iluminam As vastas arcarias, marchetadas Dos mais lindos mosaicos do Oriente, E as colunas de mármore, as pilastras,

Cobertos de lavores, e as paredes Ornamentadas de brasões pomposos. Os gratos sons das harpas e doçainas, Dos cítolos e frautas, repercutem

Fora na larga praça, onde confusa Cochicha a multidão maravilhada. Celebra o rei vaidoso e dissoluto Seu dia natalício. As salas todas

Estão cheias de amigos e convivas: Ricos hebreus, latinos cavaleiros, Senhores do Ocidente e do Levante. As mais belas romanas da soberba,

Mas depravada corte do tirano, As mais airosas filhas da Circássia, E as ninfas mais gentis das ilhas Gregas, À lauta mesa reclinadas ouvem

Os torpes, desonestos galanteios Dos escravos de César. Petulante, De louro coroado, e verde mirto, Do amor emblema, e símbolo da glória,

Em macia camilha repimpado, Excita à ebriedade o rei da festa Seus libertinos, cínicos parceiros. Bela, apesar do vicio, a fronte esbelta

Aos joelhos do amante repousando, Herodias sorri. De espaço a espaço, Gracioso escanção, ágil, travesso, Demônio de malícia em tenra idade,

As taças de ouro que a seus pés reluzem, De excitante falerno enche, dizendo Imodestos gracejos. Nenhum pajem Do mais devasso camarim do império

O vencera em audácia e desvergonha! Entretanto, meu Deus! é uma menina, No albor da adolescência, rósea, loira, Olhos azuis brilhantes, lábios de anjo!

E esta menina é filha de Herodias!...

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