Um belo dia, ao alvejar d’aurora,
Às verdes margens do Jordão sagrado,
Entre as turbas solícitas, zelosas,
Que do Batista às vozes acudiam,
Veio também Jesus. Surpreendido,
Turba-se aquele: — Quem sou eu! exclama,
Para esta glória merecer! — Minh’alma
Devera ser por ti purificada,
Senhor! e tu me buscas!...
— Não te inquietes,
Responde-lhe Jesus, — faze o que digo;
Quero plena justiça: é necessário
Que de minha pessoa o exemplo parta. —
Estas razões ouvindo, João Batista
Inclina-se e obedece. Oh! mas, apenas
Das águas do Jordão as gotas frias
Molham a fronte santa, as nuvens róseas
Afastam-se, quais trêmulas cortinas
Que vendassem o Empíreo, os céus se entreabrem,
E o Espírito de Deus, rasgando os ares,
Sob a corpórea forma de uma pomba,
Desce até o Senhor! No imenso espaço
Faz-se ouvir uma voz altissonante:
— Eis o meu Filho muito amado! Nele
Hei posto minha eterna complacência!