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1841–1875

XII

Luís Nicolau Fagundes Varela

Um belo dia, ao alvejar d’aurora, Às verdes margens do Jordão sagrado, Entre as turbas solícitas, zelosas, Que do Batista às vozes acudiam,

Veio também Jesus. Surpreendido, Turba-se aquele: — Quem sou eu! exclama, Para esta glória merecer! — Minh’alma Devera ser por ti purificada,

Senhor! e tu me buscas!... — Não te inquietes, Responde-lhe Jesus, — faze o que digo; Quero plena justiça: é necessário

Que de minha pessoa o exemplo parta. — Estas razões ouvindo, João Batista Inclina-se e obedece. Oh! mas, apenas Das águas do Jordão as gotas frias

Molham a fronte santa, as nuvens róseas Afastam-se, quais trêmulas cortinas Que vendassem o Empíreo, os céus se entreabrem, E o Espírito de Deus, rasgando os ares,

Sob a corpórea forma de uma pomba, Desce até o Senhor! No imenso espaço Faz-se ouvir uma voz altissonante: — Eis o meu Filho muito amado! Nele

Hei posto minha eterna complacência!

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