Silêncio, Musa! Um grito angustioso,
Um grito de suprema despedida,
Neste lugar da narração divina
Interrompeu a voz do missionário.
Os mancebos ergueram-se de um salto,
Os anciãos olharam-se aterrados.
Quem deste modo os corações abala?
Quem brada assim? Correi, homens das selvas,
Naída, a virgem dos sertões, expira!
— Oh minha filha! Oh minha pobre filha!...
Esta viva expressão da dor materna
Vibrou na alma do mestre, como o fogo
De elétrica centelha. — Quero vê-la!
Quero vê-la! onde está? — diz ansioso,
Volvendo à roda os lacrimosos olhos.
— Aqui! — aqui, senhor! — vinde depressa,
Responde a pobre mãe banhada em pranto.
Então, já piedoso sertanejo
Tinha acendido um resinoso facho,
E aclarava o terreno. O peito aflito,
Pálido o rosto, aproximou-se o padre
Do lugar onde a moça agonizava.