Longe, porém, ralada de saudades Chorava no retiro a Virgem santa, Do Filho amado a prolongada ausência. Anjo de amor no vale das tristezas,
Pelo augusto mistério ao céu ligada, E à terra pela dor; símbolo eterno De inefável pureza e alma piedade, Grande na compaixão e na doçura
Como o Filho na glória e no martírio, Via se apropinquarem no horizonte As trevas do suplício! — Era alta noite, Perto do antigo lar sozinha e aflita,
Volvia, suspirando, o pensamento Às estações felizes do passado, Revia os prados e as risonhas veigas Cheias de flores, de frescura a sombra,
Onde Jesus brincava; os mansos lagos, Onde nas tardes lúcidas do estio Vogavam, contemplando o céu sereno, As verdes ilhas, as formosas praias
Cobertas de choupanas de barqueiros, Depois... descendo ao árido presente, Vendo sumir-se a luz, toldar-se o espaço, Erguer-se no porvir o vulto negro
Do mais cruel e áspero infortúnio, Inclinava a cabeça ao morno seio E rompia em soluços magoados. O temporal do inverno sacudia
As ramagens dos fúnebres salgueiros, Dobrava os ervaçais, e nas gargantas Profundas das montanhas do deserto Desfaziam-se em trêmulos gemidos.
— Meu filho! — murmurou erguendo o rosto A esposa de José, — meu pobre filho! E as douradas madeixas soltas, livres Nesse rápido gesto, se espalharam
Em profusos anéis no cotio ebúrneo.
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