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1841–1875

XI

Luís Nicolau Fagundes Varela

Sobre os tetos dos míseros tugúrios, Dos palácios reais sobre os eirados, Estende a noite escura a sombra imensa, Que nem sempre derrama a paz e o sono.

Aves de Deus, as virgens e as crianças, Adormecem risonhas, ocultando Nas asas da inocência as frontes santas. Voltam os velhos ao passado, em sonhos,

Em sonhos o futuro os moços galgam. Mas os ímpios não dormem! Fulgurantes Ardam embora perfumados círios Junto dos leitos de ouro: embora brilhem

Dos estucados tetos penduradas Alâmpadas riquíssimas! Embora! Não há luz que afugente as trevas d’alma! Nos vapores do vinho e nos banquetes,

Nas orgias febris, nos jogos loucos, Um momento se abranda e se entorpece O verme dos remorsos... — Mais faminto Acordará nas horas do silêncio.

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