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1841–1875

XI

Luís Nicolau Fagundes Varela

Musa Cristã! Desprende lacrimosa Sobre o cotio de neve as tranças de ouro! Arroja de teu seio as rosas brancas E as lindas amarílis das campinas,

Que os amores colheram! Cinge a fronte De folhas de cipreste e roxos goivos; Deixa o leve brial, envolve o corpo Em funerário crepe, e solitária

Debruça-te nas fragas do deserto! Chora, e lembra as angústias assombrosas Da morte do Senhor... Ah! se puderas, Se puderas voar, transpor os mares,

Atravessar o Líbano e as montanhas Rochosas de Ascalon; pousar no cimo Do Calvário sagrado, e compungida Beijar o duro solo, onde caíram

As lágrimas do Mestre!... Se puderas Um raminho apanhar das tristes plantas, Que o sangue fecundou do Deus aflito, Do Deus agonizante!... Oh! toma a lira,

Canta como o pastor, que a natureza Afina a voz singela! Como o nauta, Que as saudades da pátria o estro acordam! Como o servo que aspira a liberdade!

Como o formoso pássaro das selvas Que não sabe por que, mas canta, e canta, E canta até que a morte a voz lhe roube!

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XI · Luís Nicolau Fagundes Varela · Poetry Cove