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1841–1875

X

Luís Nicolau Fagundes Varela

Era alta noite, e os pobres campesinos, E os mendigos da aldeia, se apinhavam Da casa de Simão no estreito pátio. Muitos doutores, fariseus, e escribas,

Vindos dos arredores, curiosos Se acercaram de Lázaro, e aterrados Murmuravam baixinho: — Ei-lo! seu rosto Conserva ainda a lividez das tumbas!

Ei-lo, ressuscitou! — É seu fantasma, — Diziam outros, apalpai-lhe as vestes, Tocai o frio corpo, e tênue fumo, Ou branca névoa de invernosa aurora

Se desfará depressa. — Mais afoito Adianta-se e brada um velho escriba: — Lázaro d’onde vens? D’onde saíste? Pelo Deus que adoramos te conjuro,

Deixa o mistério que te envolve, fala! — Houve, um momento de mortal silêncio, Ninguém ousava se mover, o medo Tolhia o respirar aos assistentes.

Então qual muda estátua a cujos membros Por milagre do céu descesse a vida, Voltou Lázaro o rosto descarnado, Onde em cheio bateu a luz formosa

De azinhavrado, antigo candeeiro.

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