Como as rosas de um dia, como as flores
Da anêmona do monte, os anos passam
Da sonhadora infância; o Justo, o Santo,
Curva-se à lei fatídica do tempo:
Cede o lugar ao homem a criança.
Quinze anos havia que subira
Ao trono imperial Tibério César,
O abutre dos Romanos; governava
Outro sinistro Herodes a risonha,
A verde Galileia; eram os grandes,
Os príncipes, então, dos sacerdotes
Anás e Caifás, entes perversos,
Mercadores sacrílegos do templo.
Cruel como o primeiro, e mais doloso,
Nos vícios mais vezeiro, era o segundo
Senhor da Galileia, astuto Herodes:
Criatura sem crenças, sem virtudes,
Quebrando a fé jurada a cada instante,
Desprezara a prudente e fida esposa,
Filha do rei da Arábia, e fascinado
Pelos encantos pérfidos, lascivos,
Pelo amor criminoso de Herodias,
Mulher de seu irmão Filipe, cego,
Da casa do marido a arrebatara,
E com ela vivia em seu palácio.