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1841–1875

X

Luís Nicolau Fagundes Varela

Como as rosas de um dia, como as flores Da anêmona do monte, os anos passam Da sonhadora infância; o Justo, o Santo, Curva-se à lei fatídica do tempo:

Cede o lugar ao homem a criança. Quinze anos havia que subira Ao trono imperial Tibério César, O abutre dos Romanos; governava

Outro sinistro Herodes a risonha, A verde Galileia; eram os grandes, Os príncipes, então, dos sacerdotes Anás e Caifás, entes perversos,

Mercadores sacrílegos do templo. Cruel como o primeiro, e mais doloso, Nos vícios mais vezeiro, era o segundo Senhor da Galileia, astuto Herodes:

Criatura sem crenças, sem virtudes, Quebrando a fé jurada a cada instante, Desprezara a prudente e fida esposa, Filha do rei da Arábia, e fascinado

Pelos encantos pérfidos, lascivos, Pelo amor criminoso de Herodias, Mulher de seu irmão Filipe, cego, Da casa do marido a arrebatara,

E com ela vivia em seu palácio.

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