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1841–1875

X

Luís Nicolau Fagundes Varela

Alma inspirada de Anchieta ilustre, Espírito do apóstolo das selvas! Sábio e cantor, luzeiro do futuro! Tu, que nas solidões do Novo Mundo

Sobre as alvas areias, borrifadas Das escumas do mar, traçaste os versos Do — poema da Virgem — e ensinaste Aos povos do deserto a lei sublime

Que ao reino do Senhor conduz os seres; Ensina à minha musa timorata A linguagem celeste que falavas! Dá-lhe a doce expressão, a graça infinda,

A força, a eloquência e a verdade Dessas singelas narrações, que à noite Fazias nos outeiros, nas florestas, Às multidões que ouvindo-te choravam,

E pediam as águas do baptismo! E tu, oh! desditoso, exímio bardo, Cujo leito final buscam debalde As abelhas das verdes espessuras,

Para seu mel depor, como as do Himeto, Do divino Platão sobre o moimento, — E cada novo estio o mar procuram, E zumbem sobre as águas mugidoras

Que furtaram teu corpo ao pátrio solo! Grande Gonçalves Dias! Desses páramos, Onde viver sonhava, e vive agora Tua alma gloriosa, envia, oh! mestre,

Envia-me o segredo da harmonia Que levaste contigo!... Assim, apenas, Meu santo empenho vencerei contente.

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