Acabado o banquete, farto e simples, Depois de alguns momentos de descanso, Ergue-se o missionário, avisa o povo, E continua do Senhor a história:
— Quando da aurora a doce claridade O passado serão interrompeu-nos, Eu vos contava, irmãos, deveis lembrar-vos, Da Sagrada Família a retirada
Para o famoso e celebrado Egito, Fugindo às iras do cruento Herodes. Silêncio! E como sempre, ouvi-me atentos: — É morto Herodes. Arquelau governa
O desgraçado povo Israelita; Cessam as sanguinárias diligências Que seu pai ordenara: estulto conto, Sonho falaz, a plebe e o rei vaidoso
Julgam dos sábios Magos as palavras. O mundo está tranquilo, a paz Romana Por Augusto instaurada, permanece Deslumbrando as nações. Quem nesses tempos
De festas triunfais, brilhantes feitos, Justas do gênio, exaltação das artes, Poderio supremo: quem voltara De tanto luxo, e gala, e pompa, e glória,
Os olhos receosos, timoratos, Para ir buscar no meio do vulgacho Da mais pobre província, uma criança, Que gentios boçais apregoaram
Rei de Israel, destruidor dos thronos, Inimigo dos Césares? — Tranquila, Volta, pois, a Família abençoada Da terra estranha à suspirada pátria.
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