Os tangeres de simples instrumentos, Doces, melodiosos, e a toada Dos tamborins sonoros, algum tempo Medem da mocidade as ágeis danças,
E dissipam as mágoas da velhice; Os bons vinhos depois, os bons guisados, A fartura da mesa do banquete, As condições confundem e as idades.
Os pais dos desposados, diligentes Andam de lado a lado, as taças enchem, Os criados incitam, e solícitos Trazem novos manjares, novos pratos
Que aos convivas afáveis apresentam. Tecem da noiva as cândidas amigas, E os amigos do noivo o epitalâmio Usado nessas eras. Entretanto,
Da noite as horas infiéis e tredas, Que lentas esvoaçam sobre a fronte Do solitário pensador, que cercam A dura barra do infeliz cativo
De pavorosas sombras, e prolongam Do lívido, aterrado agonizante Os martírios cruéis, correm velozes Onde brilha o prazer, soam os risos,
Onde o júbilo agita as asas de ouro! O dia se aproxima. A grande mesa Terceira vez coberta de iguarias, Gostosos acepipes, doces frutos,
Não mais alegra os olhos, — a tristeza Debuxa-se no rosto dos convivas. Está findo o festim?... Estão vazias As ânforas e taças! Vinho, vinho!
Dai-nos mais vinho! Um dos amigos grita. — Pois acabou-se o vinho? diz surpresa A rainha da festa, — que desgosto! Nem uma gota ao menos acharemos:
Os odres estão secos. Mais penoso Mostra-se o enfado nos semblantes todos. Então Maria volta-se a seu Filho, Que ao lado estava pensativo e mudo,
Sobre um velho taburno recostado. — Vês? — murmura com gesto suplicante.
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