Turva-se o Armamento, os frios euros Silvam nos espinhais — Velai, amigos! — A fronte de Jesus no duro solo, É o céu que se abaixa, e atento escuta
A confissão do mundo! A terra treme, E fende-se, talvez, ao sacro fogo Do respirar de Cristo: a voz dos mortos, Que as eras condensadas abafaram,
Dos negrumes do limbo se levanta, E pede a Redenção, pede o Batismo! Tu os batizarás, Senhor! Teu sangue Os lavará das manchas do passado,
Eles que não te viram, nem ouviram, E esperavam por Ti; — menos felizes, Mais dignos do que nós, ingratas serpes! Grande Deus!... um terror fundo e secreto
Se apodera de Cristo, ânsias atrozes O coração lhe apertam! — Padre! Padre! Clama com voz aflita e mal segura, Oh! se te apraz, afasta-me dos lábios
Este medonho cálice!... Entretanto, Não a minha vontade prevaleça, Mas a tua Senhor! — E as mãos unidas, Arrasados de pranto os belos olhos,
Soluçava, beijando a terra fria. Erguendo-se depois, voltou-se a Pedro, — Simão! tu dormes! Não pudeste ao menos Um momento velar! Orar comigo!
Vela, e ora, que a força te não falte, Que a tentação não entre no teu seio! — E sentindo outra vez a dor acerba Subir-lhe ao coração, pediu de novo
A seu eterno Pai que retirasse O cálice das sevas agonias!
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