A chusma curiosa para e treme,
Não crê nos próprios olhos; entretanto,
Ele ali está, sereno, manso, afável,
No olhar a fé, nos gestos a humildade,
Nos lábios a oração, o torvo escravo
Dos gênios infernais, o horror das praças,
A pantera indomável, cujos pulsos
Grilhões partiam, rebentavam grades,
Derribavam fortíssimas muralhas!...
— Não sabemos quem és, mas o que vemos,
Quanto és temível nos revela! O sangue
Gela-se em nossas veias, ai! a morte
Nossas pobres cabeças ameaça! —
Fala em nome do povo um homem velho:
— Perdoa-nos, mas deixa estes lugares,
Deixa esta triste gente, em cujos peitos
Lançaste o medo, a inquietação e a febre!
Perdoa-nos e vai-te! — Desgraçado!
O Salvador exclama, tranquiliza
Esse povo infeliz que o bem assusta,
E a palavra de Deus enche de assombro!
Eu partirei, retira-te, não temas! —
Ao alvejar d’aurora do outro dia
Pisa Jesus, de volta, as flóreas ribas
Da bela Galileia, onde saudoso
O rebanho fiel há muito o espera.