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1841–1875

VII

Luís Nicolau Fagundes Varela

A chusma curiosa para e treme, Não crê nos próprios olhos; entretanto, Ele ali está, sereno, manso, afável, No olhar a fé, nos gestos a humildade,

Nos lábios a oração, o torvo escravo Dos gênios infernais, o horror das praças, A pantera indomável, cujos pulsos Grilhões partiam, rebentavam grades,

Derribavam fortíssimas muralhas!... — Não sabemos quem és, mas o que vemos, Quanto és temível nos revela! O sangue Gela-se em nossas veias, ai! a morte

Nossas pobres cabeças ameaça! — Fala em nome do povo um homem velho: — Perdoa-nos, mas deixa estes lugares, Deixa esta triste gente, em cujos peitos

Lançaste o medo, a inquietação e a febre! Perdoa-nos e vai-te! — Desgraçado! O Salvador exclama, tranquiliza Esse povo infeliz que o bem assusta,

E a palavra de Deus enche de assombro! Eu partirei, retira-te, não temas! — Ao alvejar d’aurora do outro dia Pisa Jesus, de volta, as flóreas ribas

Da bela Galileia, onde saudoso O rebanho fiel há muito o espera.

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