Triste como um sorriso compassivo, Entre prantos de amor e de saudade; Triste como um olhar de despedida, Como um adeus de amigo que se ausenta,
Quando de longe da arenosa estrada, Pela última vez contempla as serras, E as campinas natais: assim no espaço, Do sol quase a sumir-se, o frouxo lume
Descansa inerencório sobre os tetos Da tranquila Caná, cidade humilde Da humilde Galileia; e nessas horas, Quando as vagas lembranças, agridoces,
Dos tempos que passaram, tumultuam No pensamento humano, e a voz das aves, O murmurar das fontes solitárias, O ciciar das auras na espessura,
Casam-se d’alma aos fugitivos sonhos; Quando as brilhantes ilusões da infância Revoam pela mente do que sofre, Como em tarde de estio, à flor dos lagos,
Um bando de andorinhas forasteiras; Nessas horas de calma e de amargura, De aflição e prazer, de riso e lágrimas, Chusmas alegres de louçãs pastoras,
Camponesas gentis, zagais esveltos, Em trajos festivais, brincam e dançam, Cantam e jogam, do arvoredo à sombra, Ou sobre as alcatifas de verdura,
Que a frente adornam de formosa granja: É dia de noivado. Pressurosas Acodem dos subúrbios e arredores Dos maiorais mais ricos as famílias,
E as famílias dos pobres jornaleiros, Aos folguedos das bodas; vem entre elas A filha de Joaquim e o santo esposo; Chega também Jesus e seus amigos.
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