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1841–1875

VII

Luís Nicolau Fagundes Varela

Triste como um sorriso compassivo, Entre prantos de amor e de saudade; Triste como um olhar de despedida, Como um adeus de amigo que se ausenta,

Quando de longe da arenosa estrada, Pela última vez contempla as serras, E as campinas natais: assim no espaço, Do sol quase a sumir-se, o frouxo lume

Descansa inerencório sobre os tetos Da tranquila Caná, cidade humilde Da humilde Galileia; e nessas horas, Quando as vagas lembranças, agridoces,

Dos tempos que passaram, tumultuam No pensamento humano, e a voz das aves, O murmurar das fontes solitárias, O ciciar das auras na espessura,

Casam-se d’alma aos fugitivos sonhos; Quando as brilhantes ilusões da infância Revoam pela mente do que sofre, Como em tarde de estio, à flor dos lagos,

Um bando de andorinhas forasteiras; Nessas horas de calma e de amargura, De aflição e prazer, de riso e lágrimas, Chusmas alegres de louçãs pastoras,

Camponesas gentis, zagais esveltos, Em trajos festivais, brincam e dançam, Cantam e jogam, do arvoredo à sombra, Ou sobre as alcatifas de verdura,

Que a frente adornam de formosa granja: É dia de noivado. Pressurosas Acodem dos subúrbios e arredores Dos maiorais mais ricos as famílias,

E as famílias dos pobres jornaleiros, Aos folguedos das bodas; vem entre elas A filha de Joaquim e o santo esposo; Chega também Jesus e seus amigos.

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