Mas, à porta da ermida, majestoso, Trajando as sacrossantas vestimentas, Sustendo o argênteo cálix, e seguido Do velho companheiro, o missionário
Aparece, e caminha lentamente Para o singelo altar. Longo sussurro, Semelhante ao das ramas da floresta Às primeiras rajadas da tormenta,
Corre entre as turbas, as mais altas frontes Curvam-se, como as hastes da cecrópia, Quando sopram do Norte os frios ventos. Depois tudo emudece: ouve-se, apenas,
O brando ciciar da aragem mansa Nos taquarais viçosos, os queixumes Do cristalino arroio entre pedrinhas, E a voz grave, solene e vagarosa
Do sábio do Evangelho, repetindo As palavras do santo sacrifício. Quadro sublime! Encantadora cena! Era assim, ao ar livre, à luz suave
Do céu da Galileia, nas encostas De relvosas colunas, ou nas margens Verdes, risonhas, de serenos lagos, Que o Homem do Martírio doutrinava
As multidões humildes que o seguiam! Era à sombra dos altos sicomoros, Junto das fontes gemedoras, longe Dos rumores das praças, que os mais nobres
Os mais santos preceitos resvalavam De seus lábios divinos! Seus olhares Prezavam as campinas e os outeiros, As cabanas dos vales sossegados,
O retiro dos bosques, e a beleza Do firmamento azul, vaga e profunda! Era da natureza nos altares Que elevava su’alma ao Pai Celeste!
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